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Artigo

O secularismo e a nossa esperança em Cristo

K. Scott Oliphint 11 de Outubro de 2018 - Cosmovisão

Palavras não podem descrever adequadamente a corrida à irracionalidade que caracteriza o mundo ocidental de hoje. O absurdo ataca de todos os lados. A tolice é alimento diário; o anormal se tornou a norma.

Alguns exemplos óbvios: muitos de nós agora vivemos em um mundo onde certas teorias da ciência, como a da evolução, são tomadas como a verdade inabalável. As provas, nos dizem, são claras e implacáveis.

Mas os mesmos secularistas nos dizem que, quando se trata de algo tão óbvio quanto o gênero de uma pessoa, a ciência é silenciada e a identidade de gênero é determinada pela maneira como nos sentimos. Quando se trata de gênero, “não pode estar errado quando parece tão certo”.

Ou quando o mundo é exposto ao desmembramento e venda de partes fetais de um bebê a ciência nem mesmo é convidada para a discussão. Enquanto o horror de tal prática é transferido da ilha brilhantemente e iluminada, da realidade “nua e crua”, para o obscuro compartimento genérico da “saúde das mulheres”, nós nos convencemos de que tudo não passou de um alarme falso.

“Os fatos são coisas obstinadas”, brincou John Adams. Mas a obstinação deles é insignificante quando comparada à tenacidade de uma mentalidade secular. Quando os óculos do secularismo veem os fatos, eles são capazes de se ajustarem adequadamente a própria visão do secularismo. Se os fatos ameaçarem esses compromissos seculares, eles podem mudar o foco para que eles sejam ofuscados e não possam ser reconhecidos. Mas se acontecer de eles verem algo que se encaixa em sua ideologia, eles então olharão atentamente e o colocarão rapidamente em evidência para aqueles com olhos embaçados entre nós.

O secularismo está avançando rapidamente e com artilharia pesada. As opções são: se juntar ao exército ou ser contado como dano colateral. O secularismo marcha com paixão, com propósito sem precedentes, e com uma única determinação: “Aqueles que não estão conosco estão contra nós”.

Mas este regimento resoluto tem um sério problema racional. Se forem abordados com questões sobre sua própria existência, as respostas sempre ficarão aquém. Por exemplo, Richard Dawkins, o notado e notório ateu, em “River Out of Eden”, encoraja a todos nós a lembrar que o DNA (e com isso ele quer dizer “pessoas”) não se importa com nada; O DNA “simplesmente é”, de acordo com ele. Então, ele diz, nossa reação à multidão de problemas e eventos ao nosso redor deve ser de “indiferença impiedosa”. O problema, no entanto, é que ninguém é indiferente, nem mesmo Dawkins.

Por que tanta “indiferença” quando parece não haver sinais disso em lugar algum? Pode ajudar se nos sentarmos por um minuto para tentar obter alguma perspectiva. Precisamos ver o quadro geral que o secularismo e o ateísmo querem que todos nós dependuremos em nossas paredes para admirar.

A primeira coisa que eles querem que vejamos no quadro deles é o puro acidente sem propósito e sem sentido de nossa existência. A única razão pela qual estamos aqui, dizem eles, é porque estamos aqui. Não há propósito, nenhum projeto, nada significativo sobre a nossa presença neste mundo. O mundo natural é tudo o que existe, e esse mundo simplesmente aconteceu para vir à existência. Na imagem que eles consideram da realidade, você não é criado; você evoluiu. E sua evolução não foi nada mais do que uma combinação aleatória de circunstâncias, de matéria e do acaso.

Richard Dawkins pode ser tudo, menos indiferente, quando se trata deste acidente da evolução. Segundo ele, “é absolutamente seguro dizer que se você encontrar alguém que não acredite na evolução, essa pessoa será ignorante, estúpida ou insana (ou má, mas prefiro não considerar isso)”. Isso soa como um homem que é indiferente àqueles que não concordam com suas opiniões?

Vamos pensar desta forma: se você e eu somos, como Dawkins quer que acreditemos, uma coleção randômica de moléculas aleatórias, por que isso importaria se acreditássemos em sua visão ou não? Uma afirmação da opinião de Dawkins não seria tão aleatória e “acidental” como uma negação dela? Se a minha crença de que fomos criados por Deus não é nada mais que uma função material do meu DNA, por que isso importa? Especificamente, por que isso importa tanto para Dawkins?

Não é muito difícil começar a ver que o secularismo, com todos os seus defensores irritantes com suas irracionalidades, é um castelo de cartas que um simples sopro pode arrasar. Suas próprias teorias infiltram-se em seu núcleo como um vírus que consome o cérebro e o torna inútil.

A razão pela qual a mentalidade secular não pode viver com sua própria teoria é que, se a teoria não é vivida, nada mais resta. Se Dawkins fosse levado a sério, então um secularista, que realmente vive como um, estaria tão comprometido com a “indiferença impiedosa” que a única questão válida que resta, como Albert Camus apontou décadas atrás, seria o suicídio. E isso também seria uma escolha de indiferença.

Mas há algo mais que podemos ver na imagem distorcida se olharmos de perto o suficiente. Mesmo que o secularismo não tenha razão para existir, ele continua a atirar no escuro sem objetivo definido, esperando atingir acidentalmente, algum tipo de alvo em algum lugar. Mesmo sendo tão vazio e insípido quanto o secularismo pode ser, ele continua a se propagar com o pretexto de tais virtudes imateriais e intencionais como “propósito”, “esperança” e “significado”. Gritando dos telhados: “nada além de DNA”, secularistas tentam se esgueirar, com ideias orgulhosas, pela porta dos fundos, esperando que não vejamos. Por que eles fariam isso?

Eu vi um adesivo que dizia: “Eu perdi a esperança e me sinto muito melhor”. Mas ocorreu-me que aqui temos um secularismo honesto. Aqui está uma declaração que reconhece que virtudes como a esperança são importadas artificialmente para uma mentalidade secular. Se a matéria é tudo o que existe, se somos apenas uma coleção acidental de DNA, então coisas como “esperança” são vazias e completamente desprovidas de conteúdo. Para um secularista, a esperança nada mais é que esperança na esperança, o que não é esperança alguma. A esperança, para o secularismo, não tem lugar para colocar sua cabeça. Não há espaço para esperança na hospedaria secular.

A razão pela qual os secularistas tentam misturar ingredientes artificiais como a esperança em sua receita desagradável é porque, como criaturas feitas à imagem de Deus, eles sabem, no fundo, que esse mundo não é tudo o que existe. De fato, eles conhecem o Deus que continuam a evitar (Rm 1. 18-21).

Como portadores da imagem de Deus, que de fato conhecem à Deus e são feitos à imagem dele, inevitavelmente importam elementos estranhos para os seus pensamentos. Eles falam e discutem com paixão, não com indiferença. Eles acreditam na verdade universal (tal como: todos deveriam pensar como eles). Eles continuam, em face de seus próprios compromissos míopes, a fingir que coisas como propósito, amor, significado e esperança estão de alguma forma incluídos em seu DNA. No entanto essas coisas não podem ser encontradas em nosso DNA, não importa quão poderoso seja o microscópio. Se tudo é matéria, então nada realmente importa. É por isso que o apóstolo Paulo descreve àqueles que estão separados de Cristo como não tendo esperança e sem Deus no mundo (Ef 2.12).

Tudo isso é realmente uma boa notícia para o cristão. O ataque do secularismo desenfreado em nossa cultura pode ameaçar nos levar ao desespero. Mas, se nos desesperamos, removemos nossos óculos espirituais e os substituímos pelos óculos escuros da incredulidade. Em vez disso, devemos ver que a paisagem árida e vazia do secularismo é um cenário perfeito que permite que a realidade da esperança cristã brilhe em alto relevo.

Uma das passagens da Escritura com o ensinamento mais concentrado sobre a esperança cristã é 1Coríntios 15. A conclusão de Paulo explica como deve ser a esperança cristã aqui na terra: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão”. (v.58). O que motiva esse prenúncio de esperança é o foco central do argumento de Paulo neste capítulo. Esse foco é a ressurreição de Cristo. Há três coisas para destacar no argumento de Paulo.

Primeiro, quando Paulo diz:” Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”. (v.19), as palavras mais importantes nessa declaração são “em Cristo”. O argumento de Paulo não é que a esperança nesta vida seja apenas uma esperança lamentável, embora seja. Em vez disso, o que é lamentável sobre uma esperança só nesta vida é que aqueles que não estão “em Cristo” confiaram em alguém que está morto. Confiar em alguém que está morto é extinguir a esperança. Mas porque Cristo vive, nós vivemos, e é somente a vida que pode ter e dá esperança.

Segundo, a ressurreição de Cristo é a única garantia da nossa própria ressurreição corporal. “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”. (v. 22-23). Nossa esperança de nova e eterna vida é certa porque estamos “em Cristo” e Cristo foi ressuscitado.

Em terceiro lugar, a esperança cristã requer a destruição do “último inimigo”, que é a própria morte. Esse inimigo ainda está ativo; ainda mata suas vítimas. Mas os seus dias estão contados. “E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão”? (v. 54–55).

Para aqueles que estão em Cristo, porque ele foi ressuscitado, o inimigo final e terrível será morto para todo o sempre. Quando a morte é finalmente levada à morte, então nós que estamos em Cristo viveremos com ele, no novo céu e na nova terra, e a esperança não mais existirá. No novo céu e nova terra, com nossos corpos incorruptíveis, a esperança terá servido a sua nobre tarefa, e a morada de Deus estará com o Seu povo (Ap 21. 3). Nós iremos, pela primeira vez e por toda a eternidade, vê-lo como Ele é (1Jo 3. 2).

Pela fé, estamos unidos a Cristo, pela esperança, nós vivemos nele. Na eternidade, quando a morte e suas consequências já não mais existirem, permaneceremos para sempre em seu amor (Jo15. 9). Então, por enquanto, e para aqueles que estão em Cristo, “gloriamo-nos na esperança da glória de Deus”. (Rm 5. 2; 12.12; Col. 1.27).

 

Tradução: Paulo Reiss Junior.

Revisão: Filipe Castelo Branco.

Fonte: Secularism and Our Christian Hope.

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Autor K. Scott Oliphint

K. Scott Oliphint é professor de apologética e teologia sistemática no Seminário Teológico de Westminster, na Filadélfia, um...



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