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Artigo

O amor fiel de Deus consola suas filhas | Parte 2/2

Elyse Fitzpatrick 06 de Agosto de 2018 - Família

O texto abaixo foi extraído do livro Um Coração Inabalável, de Elyse Fitzpatrick, da Editora Fiel.

A firmeza de Deus por nós

Outra faceta do grande amor de Deus, seu hesed, tem a ver com confiança ou firmeza. Esse elemento crucial do seu amor nos diz que ele nunca irá mudar de ideia sobre nós — nos amando em um momento e nos esquecendo em outro. Mesmo que cada uma de nós saiba como é ser esquecida — seja por um parente, cônjuge, por um filho ou por uma amiga — na relação com o nosso Pai celestial, nós nunca seremos abandonadas. Mesmo que já tenhamos discutido essa verdade no capítulo 2, deixe-me relembrá-la mais uma vez.

Embora seja verdade que temos a preciosa promessa de Deus de que ele nunca nos deixará ou se esquecerá de nós (Hb 13.5), também temos algo mais, algo que nos diz palavras amáveis que seriam inimagináveis se elas não fossem parte das santas Escrituras. O que temos é o clamor de angústia do Filho fiel, que ficou pendurado entre a terra e o céu, e exclamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Lembre-se disto: pela primeira vez em toda a eternidade, o Pai virou o rosto para o seu Filho e derramou toda a sua justa e santa ira sobre o Filho inocente. A comunhão alegre e ilimitada que existira em todo o tempo foi rompida. A criação recuou a partir dessa violação da harmonia cósmica, a terra estremeceu, o céu ficou escuro como a noite, o véu no monte do templo se rasgou. Quem poderia imaginar tal visão? Deus se afastou do seu Filho amado!

Repito que esse quadro é de uma importância extraordinária para cada uma de nós. Ele é importante por uma simples e gloriosa razão: porque Deus se afastou do seu filho, ele nunca se afastará de nós! O nosso amado e fiel salvador foi desamparado para que nós nunca fôssemos desamparadas. Nós, que éramos inimigas de Deus, que merecíamos não somente sermos abandonadas, mas também punidas, fomos acolhidas, perdoadas e unidas inseparavelmente à sua pessoa.

O firme amor de Deus é fiel e duradouro. Ele não somente tem o poder de permanecer constante e de nos amar por toda a eternidade e contra todas as expectativas, ele também tem a disposição para fazer isso. Ele não irá mudar de ideia no meio da tempestade. Os ventos podem uivar e a chuva pode cair ao nosso redor, mas o nosso Pai celestial proclamou os seus propósitos: o seu amor é inabalável. Quando a nossa alma se refugia debaixo da sombra das asas do Pai, a proteção dele está ali para nós eternamente.

Isaías profetizou o amor de Deus quando disse: “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi” (Is 55.3). O mesmo amor que o Pai teve pelo seu servo Davi é o amor que ele tem por você e por mim. Deus declara que o seu amor é firme e certo. Ele não muda de ideia; seu amor é constante e resoluto. Ele fez um pacto eterno — um contrato fundamentado em seu hesed — ele não irá nos abandonar em nosso momento de necessidade. Porque ele prometeu não nos abandonar, podemos “nos chegar, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16).

Sei que, às vezes, quando estou sofrendo, sou tentada a fugir do Senhor. Ao invés de me aproximar e encontrar graça, força, refúgio e amor inabalável ao seu lado, sou tentada a me retrair em meu casulo autoprotetor. Acho que faço isso porque parece muito doloroso abrir o meu coração ferido para ele. Imagino que, se eu puder segurar a respiração o suficiente e ignorar a dificuldade, seja ela qual for, ela vai passar. Temo que, se eu olhar para a minha aflição ou pensar nela, isso fará com que a dor se torne mais insuportável. Se eu pudesse apenas ignorar essa aflição por tempo suficiente, penso eu, em minha insensatez, conseguiria vencer. Mas se tiver que pensar sobre isso, ela irá devastar a minha alma. Então, me escondo. Até em minha autoproteção pecaminosa, posso ver o hesed de Deus se estender a mim. Ele quer me transformar. Ele quer que eu deixe de ser uma menininha, agachada em um canto escuro, cuidando das feridas e esperando a tempestade passar, a fim de me tornar uma mulher confiante. Ele não está interessado em fazer com que eu ganhe confiança em mim mesma, em meus planos ou em minha capacidade de resistir. Ele não quer que eu me fortaleça em mim mesma. O que ele quer para mim é que eu o conheça, experimente o seu hesed e aprenda sobre a sua natureza e pessoa. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”, o Senhor nos chama (Mt 11.28). Você irá até ele a fim de se esconder das tempestades? Ele a está chamando hoje. Não se esconda dele, se esconda nele. É ali onde você achará a graça e a misericórdia que irão ajudá-la no tempo da necessidade. É ali onde você achará o seu hesed.

O amor de Deus por nós

Embora tudo o que aprendemos sobre o hesed seja glorioso, há ainda ricos tesouros nessa palavra. A disposição de Deus em relação a nós não é apenas de força ou confiança. A disposição dele em relação a nós é de amor. Isso pode parecer tão clichê que praticamente nem precisamos falar. Afinal, como dizemos, “Deus é amor”. Quase tudo o que conhecemos sobre Deus fala do seu amor, começando por esses versículos, que provavelmente lemos pela primeira vez durante uma partida de futebol: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito...” (Jo 3.16). E mesmo assim, conforme caminhamos pelas tempestades sombrias, às vezes, essa luz pode ser enfraquecida. Deus ama o seu povo. O seu amor não é mero sentimentalismo ou votos melosos. Não! O seu amor é ativo e ciumento. Hesed pode ser melhor relacionado à ideia de amor conjugal. Em qualquer matrimônio, o amor é certamente uma questão legal: “e há sanções legais por infrações. Todavia, a relação, se for sólida, transcende as meras legalidades”. O meu marido tem uma responsabilidade legal por mim e eu por ele? Sim, claro. Nós dois também temos comprometimentos espirituais? Sim. Mas o nosso casamento é mais do que um mero acordo legal e comprometimentos anteriores. É uma compaixão profunda, sincera e uma devoção que temos um pelo outro. O que temos é mais que um acordo legal de nos amarmos, apesar de ser isso. Ele é também uma atitude que demonstra que as nossas vidas estão totalmente devotas ao bem do outro. Esse é o tipo de amor que o Senhor tem por você.

A ideia da devoção conjugal de Deus para com o seu povo foi captada pelo profeta Oseias, que fala em nome de Deus à sua fiel esposa, Israel: “Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. Desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR” (Os 2.19-20).

Nesses versículos, podemos ver o hesed do Senhor pelo seu povo. As palavras como para sempre, benignidade e fidelidade ilustram o seu coração generoso. Mesmo que sempre sejamos como aquela esposa infiel cujo “amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa” (Os 6.4), seu amor inabalável é eternamente fiel e transbordante. Essa é a natureza do amor que o Senhor tem por você! Você pode se refugiar nele? Ele irá acolher e proteger você? Claro! O amor dele é maravilhoso assim!

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Elyse Fitzpatrick
Autor Elyse Fitzpatrick

Elyse Fitzpatrick é conselheira bíblica no Institute for Biblical Counseling and Discipleship, na Califórnia, e possui mestrado em Aconselhamento...