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Artigo

A bondade e a honra de uma mulher

Joel Beeke 22 de Maio de 2018 - Família

O texto abaixo foi extraído do livro O Legado de Lutero, organização de R. C. Sproul e Stephen Nichols, da Editora Fiel.

A visão de casamento que se tem é inseparável da visão que se tem das mulheres. A visão de Lutero quanto às mulheres é complexa, pois ele tanto afirma como nega sua igualdade de diferentes modos. Disse ele que a primeira mulher “não era igual ao homem em glória e prestígio”, mas que compartilhava a mesma humanidade essencial e a imagem de Deus (Gn 1.27). Lutero observou: Assim, ainda hoje, a mulher é participante da vida futura, como Pedro diz que são coerdeiros da mesma graça (1Pe 3.7). Na família, a esposa é uma parceira no gerenciamento, com interesse em comum pelas crianças e a propriedade, mas há uma grande diferença entre os sexos. O homem é como o sol no céu; a fêmea, como a lua; os animais, como as estrelas, sobre as quais o sol e a lua têm domínio.

Em outro momento, Lutero disse que, pela criação, a mulher era “igual a Adão” em capacidade e domínio sobre a terra e teria permanecido assim se não fosse a queda. Lutero acreditava que a queda da humanidade resultou na sujeição da mulher a seu marido (Gn 3.16). Diferente de alguns na cristandade, Lutero não responsabilizava a mulher pela queda, mas a fraqueza da natureza humana. Ele disse que Eva deveria ser “louvada como uma mulher muito santa, cheia de fé e amor” quando considerada depois da queda.

Para um homem de seu tempo e lugar, Lutero não era misógino. Ele apoiava os esforços evangélicos de defender o gênero feminino contra a degradação sexista. As mulheres não são uma maldição, mas uma bênção de Deus. Lutero disse: “Imagine como seria o mundo sem esse sexo [feminino]. O lar, as cidades, a vida econômica e o governo literalmente desapareceriam. Os homens não conseguem viver sem as mulheres. Mesmo que fosse possível aos homens gerar e dar à luz filhos, não conseguiriam viver sem as mulheres”.

O santo e honrado estado do matrimônio

As perspectivas medievais sobre o sexo dentro do casamento concordavam com a necessidade das relações sexuais para produzir filhos, mas lamentavam o ato em si como algo intrinsecamente pecaminoso. No século XI, o Cardeal Damiano via as relações sexuais com horror, dizendo que o sexo no casamento excluía as pessoas dos mais altos lugares no céu. Ele dizia que o sexo só se justifica quando não se tem prazer nele. Em contraste, Lutero enfatizava a bondade e a honra das relações sexuais entre marido e esposa (Hb 13.4). Disse ele: Essa condição não deve ser condenada ou rejeitada como algo mau e sujo, como fazem o papa e seus seguidores. Ser casado é ordenança instituída por Deus, pois, quando Deus criou o homem e a mulher, ele mesmo os colocou nessa condição em que não somente podiam, como também deveriam viver piedosamente, honradamente, vidas puras e castas, em que gerassem filhos e povoassem o mundo, na verdade, o reino de Deus.

Os maridos e as esposas devem agradecer a Deus por lhes dar seus próprios gêneros distintos e colocá-los juntos “no santo estado do matrimônio”. Mesmo que o Senhor Jesus viesse em glória “quando um homem e sua mulher estivessem tendo relações maritais”, não haveria razão para temer, pois eles estariam cumprindo o chamado que Deus pôs sobre eles. O sexo no casamento não é pecado; o “desejo natural e ardente” da atração sexual foi ordenado por Deus. Satanás “difama e envergonha o casamento, mas os adúlteros, as prostitutas e os cafajestes permanecem com as mais altas honras”. Por mais que a lascívia, a dor e a vergonha tenham maculado nossa sexualidade desde a queda, jamais devemos cessar de reconhecer a bondade da criação de Deus, pois o Espírito Santo não se envergonha de falar da sexualidade humana em sua mais pura e santa Palavra. Lutero rejeitou especialmente a ideia de que fazer amor com o cônjuge apaixonadamente seria algo equivalente ao adultério.

Lutero nutria profunda preocupação com a situação dos sacerdotes, monges e freiras, que eram proibidos, pela lei da igreja, de contrair matrimônio, ainda que, muitas vezes, lhes faltasse o dom sobrenatural do celibato. Lutero disse que deveriam viver como esposos e esposas junto das pessoas que amavam. Muitos sacerdotes necessitavam de uma saída legítima para seus desejos sexuais, bem como da ajuda de uma mulher nos cuidados com a casa. Lutero disse que, ao contratar governantas para cuidar da casa, a igreja “ajuntava palha e fogo e proibia que eles fumegassem ou queimassem!”. Assim, encorajava os sacerdotes, os monges e as freiras a se casarem, a despeito das severas penas que as autoridades romanas frequentemente impunham sobre eles.

Lutero insistiu com um de seus jovens estudantes de teologia: “Não podes ficar sem esposa e permanecer sem pecar. Afinal, o casamento é ordem e criação de Deus. Portanto, não é ideia de Satanás quando um homem deseja casar-se com uma moça honrada, pois Satanás odeia esse tipo de vida. Assim, tome a ventura em nome do Senhor e na força de sua bênção e instituição!”.

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Joel Beeke
Autor Joel Beeke

Joel Beeke é presidente e professor de teologia sistemática no Puritan Reformed Theological Seminary (EUA) e pastor da Heritage Netherlands Reformed...



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